cancelamento automático do trecho de volta

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que promete corrigir uma das práticas mais criticadas do transporte aéreo brasileiro: o cancelamento automático do trecho de volta.

A nova medida faz parte do Projeto de Lei 5041/2025, que também trata da gratuidade de bagagens e da marcação de assentos sem custo.

Se o texto for confirmado pelo Senado, as companhias aéreas não poderão mais cancelar o voo de retorno quando o passageiro deixar de embarcar no trecho de ida.

Como funciona o cancelamento atualmente

Hoje, a maior parte das companhias aéreas brasileiras aplica uma regra conhecida como no-show.
Quando o passageiro não comparece ao primeiro voo de uma viagem de ida e volta, o sistema faz o cancelamento automático do trecho de volta, sem aviso prévio e sem direito a reembolso — nem mesmo das taxas de embarque.

Essa prática costuma gerar grandes prejuízos e frustração, principalmente para quem perde o voo de ida por motivos de força maior, como atrasos, imprevistos pessoais ou problemas de conexão.

O que muda com o novo projeto de lei

O Projeto de Lei 5041/2025 propõe que o passageiro mantenha o direito de utilizar o voo de volta, mesmo que não tenha embarcado no primeiro trecho.

Isso significa que, ao perder o voo de ida, o bilhete de retorno continuará válido, desde que o passageiro confirme o uso antecipadamente com a companhia aérea.

A proposta busca proteger o consumidor e reduzir perdas financeiras, garantindo que a passagem comprada continue válida dentro do mesmo itinerário e prazo original.

cancelamento automático do trecho de volta

Por que essa mudança é importante

A regra atual é considerada abusiva por órgãos de defesa do consumidor, já que o passageiro paga pelos dois trechos, mas perde o direito a um deles sem receber nenhum reembolso.

Além disso, muitas pessoas nem sabem que essa política existe — e só descobrem o problema ao tentar embarcar no voo de volta.

Com a nova proposta, o consumidor passa a ter maior controle sobre sua viagem, e as companhias deverão oferecer alternativas transparentes para remarcação e utilização dos bilhetes.

O impacto para as companhias aéreas

Para as empresas, a mudança exigirá ajustes nos sistemas de gestão de reservas, já que o cancelamento automático é atualmente um processo automático e padronizado.

No entanto, especialistas destacam que a medida aumenta a confiança do passageiro, o que pode compensar eventuais custos de adaptação.

Além disso, o texto do projeto prevê que as companhias possam estabelecer prazos mínimos de comunicação por parte do passageiro — evitando o uso indevido da regra e mantendo a previsibilidade operacional.

O que fazer se você perder o voo de ida

Enquanto a nova regra ainda não entra em vigor, seguem algumas orientações importantes:

  • Entre em contato com a companhia aérea imediatamente se perceber que vai perder o voo.
  • Solicite o registro do no-show e verifique se há possibilidade de reverter o cancelamento da volta.
  • Se a empresa negar, registre reclamação na Anac e nos canais de defesa do consumidor.
  • Guarde comprovantes e registros de contato — eles podem servir de prova em eventual reembolso.

Situação atual e próximos passos

Por enquanto, o projeto ainda aguarda análise do Senado Federal.
Somente após aprovação e sanção presidencial é que as novas regras passam a valer oficialmente.

Até lá, o cancelamento automático do trecho de volta continua permitido, conforme as políticas atuais das companhias.

Conclusão: mais justiça e previsibilidade nas viagens

A proibição do cancelamento automático do trecho de volta representa uma vitória importante para o consumidor brasileiro.

A medida corrige uma prática considerada injusta e garante o direito de uso integral da passagem comprada, sem penalidades desproporcionais.

Se o Senado confirmar a aprovação, essa mudança trará mais segurança e respeito ao passageiro, além de tornar o transporte aéreo no Brasil mais transparente.

Escrito por

Leandro Garcia

Sou Leandro Garcia, ex-consultor da CVC e fundador do Canal Quero Viajar, um blog e canal no YouTube onde compartilho dicas para viajar mais e gastar menos. Também sou franqueado de uma prestigiada agência de viagens com presença forte nacional, agregando experiência prática ao conteúdo que compartilho.